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O Protagonismo Juvenil e a Ética Biofílica

Um
grande desafio da educação da juventude em nossos dias é promover entre as
novas gerações as práticas do cuidado em suas várias dimensões com base numa
ética biofílica, isto é, numa ética cujo fundamento é o reconhecimento da
vida como o mais amplo, profundo e universal dos valores.
A premissa básica é o entendimento de que a atitude do jovem diante das
diversas situações de risco pessoal e social - como as drogas legais e
ilegais, as doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez precoce, a
violência no trânsito e os atos infracionais - dependem de sua atitude
básica diante da vida , que deve ser compreendida como um somatório
articulado e conseqüente de pequenos atos.
A atitude básica do adolescente diante da vida, por sua vez, depende de sua
educação familiar, escolar e das suas interações no espaço comunitário,
principalmente do relacionamento com seus pares.
Uma questão: como atuar junto aos jovens no terceiro pilar, ou seja, no
espaço da vida comunitária, onde a interação com seus pares assume uma
enorme relevância nesta etapa tão decisiva do desenvolvimento humano? O
protagonismo juvenil nos dá a resposta a esta indagação, uma vez que, por
sua prática, os adolescentes atuam em grupo, enfrentando problemas reais na
escola, na comunidade e na vida social mais ampla.
A Ética Biofílica deve ser uma atitude básica diante da vida. Ela é expressa
por meio da relação de cuidado que cada pessoa estabelece consigo mesma (autocuidado);
na relação com as outras pessoas a sua volta (altercuidado); na preocupação
com as redes que sustentam a vida, como o meio ambiente em que estamos
inseridos (ecocuidado); e com tudo aquilo que dá sentido à nossa vida - os
grandes temas da existência humana – como a questão da fé, do sentido da
vida, os valores transcendentes e os grandes ideais humanos (transcuidado).
- A relação consigo mesmo;
- A relação com o outro;
- A relação com o ambiente;
- A relação com o sentido da vida, ou seja, com a dimensão transcendente do
existir humano.
O segundo eixo, que trata da relação com o outro, abarca duas dimensões: a
das relações interpessoais (na família, na escola, nas amizades, no namoro,
na vida afetivo-sexual) e o que nós temos chamado de as relações sociais
mais amplas (ética, cidadania, solidariedade social e sentimento
humanitário).
É nesta segunda dimensão que se centra o foco do protagonismo juvenil, que
é, na verdade, uma espécie de aula prática, um verdadeiro laboratório da
educação para a cidadania, para a participação democrática e para a ação
social solidária.
O protagonismo
Com a decisão da Assembléia Geral da ONU de proclamar 2001 Ano Internacional
do Voluntariado, nos dez anos seguintes na década dedicada a esse tema vimos
abrir-se diante de nós novos horizontes e perspectivas para a introdução do
Protagonismo Juvenil em nossas escolas e comunidades, por meio do incentivo
ao voluntariado adolescente nos quatro eixos do seu universo valórico.
De fato, nada como o início de um novo século e de um novo milênio para os
jovens empreenderem ações de valorização da vida em todas as suas dimensões:
pessoal, interpessoal, social, ambiental e espiritual.
As possibilidades de ações a serem desenvolvidas são inúmeras. Não vamos
elencá-las aqui para não tolher a iniciativa e a criatividade dos
educadores, que atuam junto à fonte do sentido de todo este esforço, que são
nossos jovens, “aqueles a quem pertence e de quem depende o futuro”, como
afirmou certa vez o papa João Paulo II.
Nossa convicção é que o protagonismo juvenil se inscreve no âmbito maior da
educação para valores. Afinal, trata-se de resignificar a relação do jovem
com as questões relativas ao bem comum. Toda iniciativa no campo do
voluntariado adolescente, vivida no espírito de um autêntico protagonismo
juvenil, tem como resultado a experienciação (vivência), a identificação
(discernimento) e a incorporação (assimilação) de valores positivos à vida
de nossos adolescentes.
Temos plena consciência do quanto isto pode vir a representar em termos de
mudança no contexto da vida escolar, familiar e comunitária do jovem.
Sentir-se e saber-se parte da solução e, não, parte do problema, desperta
nos jovens energias insuspeitas, fazendo aflorar na superfície de seus atos
competências, habilidades e capacidades, que nem eles próprios julgavam
possuir.