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O Protagonismo Juvenil e a Ética Biofílica

Fonte: Camila de SouzaUm grande desafio da educação da juventude em nossos dias é promover entre as novas gerações as práticas do cuidado em suas várias dimensões com base numa ética biofílica, isto é, numa ética cujo fundamento é o reconhecimento da vida como o mais amplo, profundo e universal dos valores.

A premissa básica é o entendimento de que a atitude do jovem diante das diversas situações de risco pessoal e social - como as drogas legais e ilegais, as doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez precoce, a violência no trânsito e os atos infracionais - dependem de sua atitude básica diante da vida , que deve ser compreendida como um somatório articulado e conseqüente de pequenos atos.

A atitude básica do adolescente diante da vida, por sua vez, depende de sua educação familiar, escolar e das suas interações no espaço comunitário, principalmente do relacionamento com seus pares.

Uma questão: como atuar junto aos jovens no terceiro pilar, ou seja, no espaço da vida comunitária, onde a interação com seus pares assume uma enorme relevância nesta etapa tão decisiva do desenvolvimento humano? O protagonismo juvenil nos dá a resposta a esta indagação, uma vez que, por sua prática, os adolescentes atuam em grupo, enfrentando problemas reais na escola, na comunidade e na vida social mais ampla.

A Ética Biofílica deve ser uma atitude básica diante da vida. Ela é expressa por meio da relação de cuidado que cada pessoa estabelece consigo mesma (autocuidado); na relação com as outras pessoas a sua volta (altercuidado); na preocupação com as redes que sustentam a vida, como o meio ambiente em que estamos inseridos (ecocuidado); e com tudo aquilo que dá sentido à nossa vida - os grandes temas da existência humana – como a questão da fé, do sentido da vida, os valores transcendentes e os grandes ideais humanos (transcuidado).

- A relação consigo mesmo;
- A relação com o outro;
- A relação com o ambiente;
- A relação com o sentido da vida, ou seja, com a dimensão transcendente do existir humano.

O segundo eixo, que trata da relação com o outro, abarca duas dimensões: a das relações interpessoais (na família, na escola, nas amizades, no namoro, na vida afetivo-sexual) e o que nós temos chamado de as relações sociais mais amplas (ética, cidadania, solidariedade social e sentimento humanitário).

É nesta segunda dimensão que se centra o foco do protagonismo juvenil, que é, na verdade, uma espécie de aula prática, um verdadeiro laboratório da educação para a cidadania, para a participação democrática e para a ação social solidária.

O protagonismo

Com a decisão da Assembléia Geral da ONU de proclamar 2001 Ano Internacional do Voluntariado, nos dez anos seguintes na década dedicada a esse tema vimos abrir-se diante de nós novos horizontes e perspectivas para a introdução do Protagonismo Juvenil em nossas escolas e comunidades, por meio do incentivo ao voluntariado adolescente nos quatro eixos do seu universo valórico.

De fato, nada como o início de um novo século e de um novo milênio para os jovens empreenderem ações de valorização da vida em todas as suas dimensões: pessoal, interpessoal, social, ambiental e espiritual.

As possibilidades de ações a serem desenvolvidas são inúmeras. Não vamos elencá-las aqui para não tolher a iniciativa e a criatividade dos educadores, que atuam junto à fonte do sentido de todo este esforço, que são nossos jovens, “aqueles a quem pertence e de quem depende o futuro”, como afirmou certa vez o papa João Paulo II.

Nossa convicção é que o protagonismo juvenil se inscreve no âmbito maior da educação para valores. Afinal, trata-se de resignificar a relação do jovem com as questões relativas ao bem comum. Toda iniciativa no campo do voluntariado adolescente, vivida no espírito de um autêntico protagonismo juvenil, tem como resultado a experienciação (vivência), a identificação (discernimento) e a incorporação (assimilação) de valores positivos à vida de nossos adolescentes.

Temos plena consciência do quanto isto pode vir a representar em termos de mudança no contexto da vida escolar, familiar e comunitária do jovem. Sentir-se e saber-se parte da solução e, não, parte do problema, desperta nos jovens energias insuspeitas, fazendo aflorar na superfície de seus atos competências, habilidades e capacidades, que nem eles próprios julgavam possuir.


 

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